Organização Mundial das Suposições pula fora mais uma vez

O padrão de atuação da OMS se consolida: desmentir o que disse ou dizer que jamais disse o que claramente foi dito. Deu para entender?

Por R7 14/10/2020 - 18:42 hs

Na coletiva de imprensa de 8 de abril, em Genebra, Suíça, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus pediu que o vírus não fosse “politizado”, dizendo: “Se você quer ser explorado e se quer mais cadáveres, então faça isso”. Além da estratégia do “eu não disse o que disse”, a frase parece revelar outras duas táticas: acusar os outros de fazer aquilo que você faz e usar as palavras cadáveres, mortos, vítimas para que qualquer questionamento seja visto como um ataque à vida.

A OMS não esconde sua admiração pela China e, desde o início da pandemia – que demorou a reconhecer e anunciar – é só elogios à atuação do país que espalhou o vírus no mundo, silenciou médicos e denunciou jornalistas que tentaram alertar a população sobre o perigo iminente. Em coletiva anterior, Ghebreyesus chegou a agradecer “ao governo da República Popular da China por sua cooperação e transparência”, sendo que esse tipo de fala nem sequer faz parte do protocolo que a OMS deve manter.

Já em relação a medidas que tolhem a China, o diretor-geral sempre aparece para criticar, a exemplo do que fez com Donald Trump, o primeiro presidente a fechar as fronteiras para viajantes vindos daquele país. Nesse caso, o defensor-geral, digo, diretor-geral, disse que tais restrições eram “desnecessárias” e que poderiam prejudicar os esforços contra a doença por “limitar a circulação de bens e profissionais de saúde”. E, para terminar, fechou a crítica com chave de ouro: “além de estigmatizar o povo chinês”. Mas, desde quanto é papel da Organização Mundial de Saúde tentar evitar a suposta estigmatização de um povo? Enfim...

Sobre o lockdown, que tanto a OMS recomendou como uma das medidas de contenção da doença, agora diz que jamais disse o que disse. Mas, para refrescar a nossa memória, em matéria publicada no Estadão em 6 de maio, o Projeto Comprova, que afirma monitorar conteúdos duvidosos sobre o coronavírus e a covid-19, declarou que a informação de que a OMS não recomendava o isolamento era falsa.

Segue o trecho da matéria que desmente a desaprovação do isolamento pela OMS: “É enganosa a afirmação de que a OMS (Organização Mundial de Saúde) não recomenda o confinamento como estratégia de combate ao novo coronavírus. Ela foi divulgada pelo blog Estibordo, que tem uma seção dedicada a traduzir artigos de viés político de direita.” A matéria até denuncia a direita como autora da notícia falsa.

E para a surpresa de zero pessoas, eis que a OMS – aquela mesma que pediu aos líderes dos países que tivessem cautela com a rapidez nas reaberturas – agora afirma condenar o lockdown porque “não salva vidas”, além de “fazer os pobres muito mais pobres”. Só para relembrar, eis aqui a fala do próprio Tedros: “A última coisa que qualquer país precisa é abrir escolas e empresas, apenas para ser forçado a fechá-los novamente por causa de um ressurgimento.

O enviado especial da OMS para covid-19, Dr. David Nabarro, afirma que medidas restritivas deveriam ser usadas como último recurso e que o resultado dos lockdowns foi causar o que todo mundo que tem um pouco de bom senso já sabia: pobreza. Nabarro alerta que estamos diante de “uma catástrofe global horrível” por conta do grande aumento da pobreza, fome e desemprego. Além disso, o enviado prevê uma possível duplicação da pobreza mundial em 2021 e afirma que “podemos muito bem ter, pelo menos, o dobro da desnutrição infantil”.

O que os fatos nos mostram é que muitos erraram nas medidas de combate à doença, mas sem sombra de dúvida, os erros da OMS pesam muito mais. As trapalhadas, a desinformação e a politização da doença se originou de onde menos se esperava e agora o mundo vai pagar a conta gerada com o apoio de quem se coloca acima do bem e do mal, afinal de contas, basta dizer que não disse o que disse e sempre vai aparecer quem coloque panos quentes. Até porque, quem vai investigar a OMS, não é mesmo? 

Daqui algum tempo, mesmo os adeptos mais ferrenhos do #fiqueemcasa perceberão que fomos feitos de palhaços neste grande exercício de controle jamais implementado em todo o mundo. Até lá, vamos tocando a vida da melhor maneira possível, pois 2021 promete ser um ano extremamente difícil, recheado de mais fake news, mais polarização e mais imposição de controles sem cabimento. Sejamos fortes, não nos resta outra alternativa.

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.