Qual é o recado que eles passam?

Muitos esquecem de examinar a si mesmos

Por Universal.org 10/07/2020 - 10:30 hs
Foto: Freepik

A Bíblia está repleta de milagres. Um dos que se destacam é a cura de um cego de nascença: “E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença (…). Tendo dito isto, cuspiu na terra, e com a saliva fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego. E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o enviado). Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo. Então os vizinhos, e aqueles que dantes tinham visto que era cego, diziam: Não é este aquele que estava assentado e mendigava? (…). Chamaram, pois, pela segunda vez o homem que tinha sido cego, e disseram-lhe: Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador. Respondeu ele pois, e disse: Se é pecador, não sei; uma coisa sei, é que, havendo eu sido cego, agora vejo.”  (João 9.1, 6-8, 24, 25).

Podemos observar que o Senhor Jesus abriu a visão deste homem e fez o mesmo com muitos outros cegos. Ele, no entanto, só não consegue realizar o mesmo feito na vida daqueles que O rejeitam e se recusam a olhar para si e reconhecer a própria condição espiritual. Jesus também curou e atendeu a muitos – menos os hipócritas.

AUTOANÁLISE

Os olhos revelam muito sobre a condição espiritual em que nos encontramos, como podemos ler em Mateus 6.22-23: “Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas, se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!”

UM CEGO GUIANDO O OUTRO

De um cuidado maior necessitam aqueles que servem a Deus em Sua Obra, pois não podem olhar e atender os outros e, ao mesmo tempo, descuidarem de si. Essa realidade embaçada faz com que muitos se entretenham com afazeres e se esqueçam de se autoexaminar. Mas, “pode, porventura, um cego guiar outro cego? Não cairão ambos na cova?” (Lucas 6.39).

Quem se mantém firme dessa forma sabe que essa firmeza é frágil, já que ninguém se mantém por muito tempo amparado pela bengala de títulos, posições ou de uniformes oficiais.

Há também os que procuram se justificar mirando no pecado alheio: “mas fulano fez ou faz” e blá-blá-blá. Os olhos de muitos são bons para ver os outros e péssimos para olhar para si mesmos, o que revela que, se o olho é grande, a visão espiritual é acanhada.

“…E VIU”

O mau-olhado espiritual teve seu marco inicial em Gênesis. “Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim? E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais. Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal. E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela.” (Gênesis 3.1-6).

A serpente, que é o diabo, sabia o gostinho que aquele fruto tinha, pois ele mesmo já tinha provado o sabor e as consequências do próprio pecado. Esse mau-olhado sucedeu, primeiramente, no campo celestial, e o tombo foi enorme. “Como caíste desde o céu, ó Lúcifer, filho da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. E contudo levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo.” (Isaías 14.12-15).

Isso prova que a fraqueza e a morte espiritual começam pelos olhos, assim como a integridade e a preservação da própria alma. O segredo para se manter livre de contaminação é fixar os olhos em Jesus sem distrações. Devemos fazer o que só nós mesmos podemos fazer por nós mesmos ao desviarmos os “olhos das coisas inúteis.” (Salmos 119.37).

Em Apocalipse 3.18, somos espiritualmente orientados a adquirirmos colírio para ungir os olhos e poder enxergar. Esse colírio, acessível, está na Palavra de Deus, mas há um preço a pagar, que é a renúncia a muitas coisas às quais é fácil se apegar, como a própria razão, as próprias “verdades”, o orgulho e tantas outras que tornam o ser humano míope para a Salvação.

Se a convivência com a Palavra de Deus, que é mais cortante que uma espada de dois gumes (Hebreus 4.12), não é o suficiente para sensibilizar, convencer e fazer cair a escama dos olhos, o que poderá interceder, então?

Quem, a exemplo daquele cego de nascença, pode dizer que hoje pode ver?